O senador e presidente da CPMI das Fake News, Angelo Coronel (PSD), protocolou um requerimento na CPI da Pandemia para ouvir o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming.
O responsável para comunicação entre o país asiático e o Brasil poderá ajudar a esclarecer os senadores se ações e comentários de membros do governo federal prejudicaram os diálogos e o envio de produtos e insumos do país que é o principal parceiro comercial do Brasil. O requerimento deve ser apreciado na próxima semana.
“Por ele ser o representante do governo chinês no Brasil, Wanming poderá nos fornecer informações para avaliarmos se houve negligência na compra de imunizantes ou se ações de membros do governo de alguma forma afetaram o envio de vacinas ou do IFA”, destacou Coronel ao OFF News.
Em oitiva nesta quarta-feira (27), na CPI da Covid, o presidente do instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que os ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e de membros de seu governo contra o imunizante CoronaVAC, produzido pelo laboratório chinês Sinofarma, e contra o Instituto Butantan prejudicaram tanto as relações comerciais como a imagem do instituto centenário com sede em São Paulo.
“A campanha feita nas mídias sociais desqualificando vacina e o Butantan, sem dúvida, trouxe prejuízos à imagem do Butantan. Quando começou a vacinação essa imagem mudou muito. Em outubro tivemos dificuldade no recrutamento. As pessoas não se voluntariaram a medida que se faziam os ataques. Com a introdução da vacinação, essa percepção pública desapareceu”, destacou Covas.
Dimas explicou que os ataques repercutem na mídia da China e que eles trouxeram prejuízos ao Brasil: “O que era resolvido em 15 dias passou a levar meses e nós, que estamos na ponta, sentimos isso; A Fiocruz sentiu isso”.
Coronel cita no requerimento os atritos com o embaixador do país asiático no Brasil durante a gestão Ernesto Araújo à frente do Ministério das Relações Internacionais. Araújo revelou, durante depoimento na CPI da Covid, que em um episódio envolvendo o embaixador da China e o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), que compartilhou uma postagem acusando o governo chinês de ter criado o coronavírus, chegou a acionar o governo de Pequim para pedir a troca de Yang Wanming.

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