O ministro sinalizou ser contra o uso da cloroquina com o argumento de autonomia médica e de que, se caso bem não fizesse no paciente, mau também não faria, como defendeu em diversas ocasiões o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido).
“Eu acho que são duas situações distintas, uma é o presidente mostra a caixa [ da cloroquina], outra é o remédio funcionar ou não. Minha indicação depende da comprovação, independente do que o presidente faça. O problema que vejo, ao você liberar medicamentos forma indevida, é não saber como serão usados, se a dose será alta, até para proteger [o paciente] tem que tomar esse tipo de cuidado. Acho que a autonomia médica assume que todo médico tem conhecimento máximo sobre tudo que faz, se isso não é verdade [caso da cloroquina], isso tem que ser avaliado e acompanhada. Agora, quando se permite utilizar inadequadamente o recurso, de alguma forma está prejudicando a sociedade, isso é coisa de ser discutida”, destacou Teich.
O ex-ministro da Saúde destacou que, um ano após a pandemia, com os estudos que foram feitos, indicar remédios do Kit Covid é um erro e que pode se tornar um crime, caso tenha previsão legal.
“Com a informação que temos hoje, [indicar cloroquina] é mais incompetência, crime ou não sei dar uma posição sobre isso, mas falo da parte ética. Essas pessoas acreditam no que estão fazendo, minha impressão de prescrição inadequada. Mais é uma coisa em relação à competência, mais do que uma coisa criminal por exemplo. Se não tem indicação, estão usando remédios que não funcionam. Minha colocação quando fala em crime, não tenho conhecimento jurídico para opinar, prescrever remédio claramente pode levar à morte, é considerado crime, isso será um crime; quem não tem conhecimento é um mundo distante, para afirma uma coisa de tamanha gravidade”.
Questionado pelo presidente da CPI Covid, Omar Aziz (PSD), sobre o caso no Amazonas, onde uma mulher morreu após receber inalação de cloroquina, o ministro destacou: “Foi um erro; não estou dizendo que não é crime. Se a lei trata disso como crime, então será”.