O ex-chefe da Secretaria de Comunicação do governo Bolsonaro, o publicitário Fabio Wajngarten, que deixou o cargo em março, culpou o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pela atraso do processo de vacinação no Brasil.

“É verdade que a vacina ainda não estava aprovada pela Anvisa. Mas o Ministério da Saúde poderia ter deixado as vacinas encomendadas, armazenadas, com um pipeline de entregas”, diz Wajngarten à Revista Veja.

O ex-secretário destacou que havia se empenhado para intermediar o processo de aquisição das vacinas da Pfizer, antevendo o desgaste de Jair Bolsonaro (sem partido) sofreria caso o Brasil não entrasse na rota da vacina contra o novo coronavírus.

“O diretor da Pfizer relatou o que havia acontecido — ou melhor, o que não havia acontecido. O Ministério da Saúde nem sequer havia respondido à carta. Sou filho de médico e sei o que representa a tradição da Pfizer, sei quanto a vacinação é importante e também como isso poderia implodir ou incensar a imagem do presidente da República. Me coloquei à disposição para negociar com a empresa, antevendo o que estava para acontecer: o presidente seria atacado e responsabilizado pelas mortes”, diz o ex-secom à Veja.

Fábio Wajngarten disse que “a vacina da Pfizer era a mais promissora, com altos índices de eficácia, segundo os estudos” e que o Brasil precisava “da maior quantidade de vacinas no menor tempo” possível: “Dinheiro nunca faltou. Então, eu abri as portas do Palácio do Planalto. Convidei os diretores da empresa a vir a Brasília. Fizemos várias reuniões. Fui o primeiro a ver a caixa que armazenava as vacinas a menos 70 graus. Eu também levei a caixa para o presidente Bolsonaro ver. Expliquei que aquilo não era um bicho de sete cabeças, como alguns técnicos pintavam”.

Ele revelou que o laboratório dos EUA tentou vender o imunizante ao Brasil por um preço menor do que o praticado para países da Europa.

“As negociações avançaram muito. Os diretores da Pfizer foram impecáveis. Se comprometeram a antecipar entregas, aumentar os volumes e toparam até mesmo reduzir o preço da unidade, que ficaria abaixo dos 10 dólares. Só para se ter uma ideia, Israel pagou 30 dólares para receber as vacinas primeiro. Nada é mais caro do que uma vida. Infelizmente, as coisas travavam no Ministério da Saúde”, sinalizou Wajngarten.

Vacinas

Wajngarten defendeu Bolsonaro, afirmando que “o presidente sempre disse que compraria todas as vacinas, desde que aprovadas pela Anvisa”. Ela também eximiu de culpa o chefe do executivo federal pelo Brasil não ter comprado os imunizantes com antecedência, o que provocou um atraso no processo de vacinação no país:

“O presidente Bolsonaro está totalmente eximido de qualquer responsabilidade sobre isso. Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto. Ele era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas. Diziam que a pandemia estava em declínio e que o número de mortes diminuiria muito até o fim do ano”, explicou o publicitário.

CPI

Fábio Wajngarten rebateu as críticas por não ter feito campanha em defesa da vacinação contra o novo coronavírus e se colocou à disposição para ir na CPI Covid dar explicações.

“O governo não pode ser acusado de inoperância. Eu era o secretário de Comunicação do governo. É minha obrigação reportar o que o Planalto fez através da minha pessoa. Antevi os riscos da falta de vacina e mobilizei com o aval do presidente vários setores da sociedade. Já me acusaram até de não ter feito campanha publicitária para divulgar a importância da vacina. Como eu ia fazer campanha de vacinação se não tinha vacina. Se fizesse, seria propaganda enganosa. Estou tranquilo, se necessário, posso esclarecer tudo isso à CPI”, destacou Fábio Wajngarten.

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