O ex-presidente da República de 1994 a 2002, pelo PSDB, Fernando Henrique Cardoso defendeu, em artigo publicado nos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, a formação de um centro que “seja progressista, social e economicamente” para as eleições de 2022.

“Apresentemos aos brasileiros, quanto antes, um programa de ação realista, que permita juntar ao redor dele os partidos e as pessoas para formar um centro que seja progressista, social e economicamente. Centro que não pode ser anódino: terá lado, o da maioria, o dos pobres; mas não só, também o dos que têm visão de Brasil e os que são aptos para produzir”.

FHC

FHC evita citar qual nome ou quais poderiam coordenar esse projeto, mas conclama uma união de forças para “contrapor a eventuais estrebuchamentos autoritários”

“Quem personificará esse centro? É cedo para saber. É cedo para “fulanizar”, como diria Ulysses Guimarães. Mas é hora de promover a junção das forças capazes de se contrapor a eventuais estrebuchamentos autoritários, antes que surjam propostas que nos levem a eles”, diz o político do PSDB.

O ex-presidente da República faz uma mea culpa sobre o comportamento de Bolsonaro, mas acredita que o seu governo contribuiu para os recordes de mortes pelo vírus respiratório no Brasil.

“Primeiro, não julgo que seja suficiente distribuir “culpas”. Há várias culpas e vários culpados, interna e externamente. Sejamos realistas: ainda que o presidente fosse capaz de conter os seus ímpetos, não nos livraríamos do vírus que nos atormenta. Mas poderia haver menos mortos. A credibilidade dos que mandam é quase tão eficaz para conter desatinos como a competência dos serviços de saúde para evitar mortes”

FHC

Ele avalia que o país, com Jair Bolsonaro (sem partido) no comando, não está funcionando.

“Daí que eu veja com apreensão o momento atual. O País sofre uma crise sanitária gravíssima (talvez só comparável ao que aconteceu na “gripe espanhola” em 1918-1919); ainda está com as dificuldades econômicas, devidas não apenas à recessão, mas também à utilização de tecnologias poupadoras de mão de obra, as quais, sem que haja dinamismo na produção, mostram com clareza as dificuldades para a obtenção de empregos. E, ainda por cima, temos um governo que não oferece o que mais precisamos: serenidade e segurança no rumo que estamos seguindo”

Fernando Henrique Cardoso

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