A informação de que o ex-secretário da Casa Civil do Governo Rui Costa (PT), Bruno Dauster, demitido após o escândalo deflagrado pela compra via pagamento antecipado de respiradores em uma empresa de São Paulo que não tinha capacidade para produção, recebeu R$ 13 mil atuando como conselheiro, divulgado em primeira mão pelo Jornal Correio*, gerou questionamento da bancada de oposição na ALBA (Assembleia Legislativa da Bahia).

O deputado estadual e vice-líder da Minoria na ALBA, Paulo Câmara (PSDB), questionou a permanência de Bruno Dauster na gestão Rui Costa (PT).

“O caso fica ainda mais nebuloso e absurdo. Essa notícia nos causou muita estranheza. Primeiro que até hoje não se explicou a saída dele da secretaria após a investigação em torno da compra de respiradores que resultou em prejuízo milionário aos cofres da Bahia. Segundo que essa participação dele em conselhos causa, no mínimo, estranheza. Mesmo ele tendo sido denunciado pela dona da empresa Hempcare no seu depoimento à Polícia Civil, o secretário continua em conselhos da gestão, participando da administração. Por quê?”

Paulo Câmara (PSDB).

Dauster chegou a dar um entrevista para TV Bahia, à época do escândalo, afirmando que o estado da Bahia foi vítima de um golpe e que ele não sabia que a empresa Hampcare não tinha condições de entregar os equipamentos. Após entrevista, o considerado homem forte do governo Rui Costa passou um período recluso, mas é visto vez ou outra visitando secretarias do estado.

Respiradores

O governo do estado realizou duas compras de respiradores para pacientes em estado grave após infecção pelo novo coronavírus que não foram entregues:

A compra de 300 ventiladores clínicos de UTI pelo Consórcio Nordeste na empresa Hempcare, por R$ 48,7 milhões, em Abril de 2020. A Bahia receberia 60 respiradores e os demais estados ficariam com 30 cada. A empresa não entregou os equipamentos e o governo do estado, via SSP, deflagrou a operação Ragnarok, que chegou a prender os donos da empresa, mas até o momento o valor não foi restituído aos cofres públicos. O MPF (Ministério Público Federal) instaurou inquérito civil para apurar supostos atos de improbidade administrativa. O governo da Bahia tenta reaver o valor pago através de um processo judicial.

Aquisição de 600 ventiladores pulmonares da empresa Ocean 26 Inc, dos EUA, pelo valor de aproximadamente U$ 8,4 milhões, o equivalente a R$ 44.824.320,00 (O governo pagou no dia 30 de março 80% do valor total da compra). O MPF instaurou inquérito civil para apurar supostos atos de improbidade administrativa. O governo da Bahia tenta reaver o valor pago através de um processo judicial.

“O secretário era responsável por diversas obras importantes e que envolvem elevados volumes de recursos, como o VLT, a ponte Salvador-Itaparica, o metrô. E ele foi citado na investigação dos respiradores. O que acho absurdo é que tudo isso continue sem explicação do governo”, criticou.

Paulo Câmara

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